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Educação

Fake news e internet segura: qual o papel dos pais no viral da Momo

Tempo de leitura: 10 minutos

Nesta semana, um assunto assustou e despertou a atenção de milhares de pais para uma questão bastante preocupante: a segurança da internet. O episódio viral começou com uma corrente alarmista divulgando uma suposta invasão de uma personagem chamada Momo em videos infantis. A mensagem compartilhada dizia que a imagem de uma boneca assustadora estaria incitando crianças ao suicídio.  

A história desperta vários pontos de debate sobre o uso da internet, desde o consumo por crianças e adolescentes até à disseminação de fake news.

O caso começou depois do relato de uma mãe ter sido divulgado por um portal de notícias. Na matéria, ela conta que sua filha teria assistido à vídeos em que a imagem interrompia o conteúdo infantil desafiando o espectador. Chamada de Momo, a boneca com olhos esbugalhados e uma aparência bizarra orientava e ameaçava as crianças. A intimidação tinha como objetivo fazê-las buscarem objetos cortantes pela casa para se automutilarem.  

Estimulados por uma corrente de WhatsApp, muitos pais divulgaram a informação de que o caso estaria acontecendo em vídeos disponibilizados pela plataforma do Youtube Kids, destinado à crianças e adolescentes de até 13 anos.

A onda de compartilhamento ganhou grandes proporções, alcançando outras redes sociais. O fato gerou um resultado contrário e perigoso aos usuários, tendo o efeito oposto ao esperado pelos pais – e, infelizmente, satisfazendo os interesses dos autores do conteúdo: a popularização.  

Contribuindo com estratégias digitais

A internet, hoje, faz parte de muitas atividades, principalmente, de entretenimento e comunicação. Seja pela facilidade de acesso à informação ou pela agilização de processos comuns ao cotidiano. O fato é que até as crianças atualmente nascem com o celular na mão. Inclusive, já são definidas a partir desta característica, a chamada Geração Z, de zapear.

Aqui no blog já falamos sobre como garantir internet segura para crianças e adolescentes, mas nesta semana foi preciso revisitarmos o assunto.

Com frequência aparecem casos que demonstram que os perigos da internet são muitos e podem prejudicar crianças e adultos. O caso da boneca Momo é um deles.

Controlar o consumo, orientar e fiscalizar os conteúdos assistidos pelos filhos deve ser um compromisso recorrente dos pais. Para isso, procure indicar os sites mais confiáveis, checar o histórico de acesso e, sobretudo, dialogar sobre os riscos. Essas práticas ajudam a lidar com a situação e fazem com que eles mesmos aprendam a se proteger.

Obstáculos da modernidade

No entanto, é preciso que os pais também se policiem quanto aos conteúdos que acessam e divulgam. Parte do terror disseminado pelo viral da Momo veio de uma corrente de WhatsApp contendo uma informação falsa, as chamadas fake news.

Colocada na rede com um objetivo prejudicial, a mensagem falava sobre a existência de vídeos invadidos pela Momo em plataformas destinadas às crianças. Após investigação pelos órgãos responsáveis, nenhuma evidência de invasão foi encontrada. Todavia, há grandes chances do conteúdo só ter alcançado notoriedade devido ao seu compartilhamento em massa produzido por aqueles com um objetivo em comum: resguardar os filhos. A corrente orientava e ensinava a acessar o conteúdo, o que deu ainda mais força para que o número de visualizações crescesse. Ou seja, milhares de pessoas que poderiam nunca ter contato com a publicação, acabaram acessando através do alarde gerado.

Esta realidade tem sido bastante comum e tem causado impactos negativos à sociedade. A publicação em massa de conteúdos mentirosos através de robôs e o seu compartilhamento por usuários comuns é um problema crescente.

Por isso, embora a intenção dos pais tenha sido de cuidado e alerta, o tiro saiu pela culatra, como diz o ditado popular. Os vídeos foram parar em diversas redes como Instagram e Facebook, e deu a visibilidade que os produtores do crime pretendiam.

Mas como se proteger dessas ações?

Em primeiro lugar, é fundamental que os usuários, antes de qualquer coisa, chequem as informações publicadas na internet. É normal que ao receber uma mensagem de alguém próximo ou de confiança não desperte a preocupação por verificar as fontes da informação. Além disso, pela facilidade de compartilhamento ela acaba sendo repassada sem questionamento. No entanto, esta atitude pode resultar em grandes problemas e ser contraproducente.

Caso a informação seja real, mecanismos de denúncia são utilizados pelas empresas para derrubar o conteúdo. O processo é bem simples e pode ser utilizado por qualquer usuário. Geralmente o botão de denúncia fica no rodapé da página visitada. A partir da denúncia, o conteúdo é analisado pelas empresas e tirados do ar.

Como essas precauções não foram tomadas por quem divulgou a informação  do vídeo da Momo, apenas a simples suspeita foi responsável por viralizar o assunto.

Plataformas como Youtube ou até mesmo o Facebook possuem um rigoroso critério de segurança para a publicação de conteúdo, e um constante aprimoramento dessas ferramentas a fim de serem ambientes seguros. Por isso, caso haja publicações indevidas, a recomendação dos especialistas é para que sejam feitas denúncias do conteúdo e não sua divulgação. Embora a intenção seja positiva, replicá-lo pode resultar em uma visibilidade ainda maior.    

Neste contexto, os pais precisam ser exemplo sobre o uso consciente da tecnologia, e a não disseminação de fake news é o primeiro passo. Ao final, o fenômeno só gerou medo, desinformação e sensacionalismo, efeitos que são vilões em uma sociedade conectada.

Sendo assim, a moral dessa história toda destaca o papel dos pais na fiscalização do consumo de produtos digitais tanto para as crianças quanto para si próprios.

Caso queira ler mais sobre maneiras de educar na Era Digital, aqui no Blog do Clubinho de Ofertas temos vários posts para te auxiliar, acesse aqui!     

Erika Zordan

Jornalista e Produtora de Conteúdo no Clubinho de Ofertas. Mineira de raiz, carioca de coração. Sou apaixonada por histórias e acredito muito no poder de transformação da educação.