Cadê meu filho! Como cuidar e proteger as crianças neste fim de ano.
Educação

Cadê meu filho! Como cuidar e proteger as crianças neste fim de ano.

Tempo de leitura: 9 minutos

É dada a largada para a época mais divertida do ano: as férias de verão!

Dezembro, janeiro e fevereiro são marcados pelo sol e a vontade de aproveitar os dias da melhor maneira possível. Além das festas de fim de ano que já rendem bons motivos para viajar, ganhar presentes e passear, janeiro é o mês das férias escolares. É aquela época que toda família precisa se organizar e programar direitinho para todos os passeios com crianças. Afinal, se todo mundo quer aproveitar, é natural que tudo esteja cheio e precise de atenção redobrada.

Em um piscar de olhos…

Malas prontas, presentes comprados, roupas novas garantidas, mas os cuidados não param por aí. A movimentação de tantas pessoas nesta época chama a atenção para a necessidade de se precaver em relação ao desaparecimento de crianças.

De acordo com dados da FIA, Fundação para a Infância e Adolescência, esta época do ano é responsável pelo aumento dos casos de desaparecimento temporário de crianças. É por isso que uma campanha de prevenção é uma importante ferramenta utilizada pela fundação para controlar esses números.

Luiz Henrique Oliveira, gerente do Programa SOS Crianças Desaparecidas, ressalta que atitudes simples podem evitar problemas e desconfortos que não combinam em nada com a diversão do fim do ano.

“O programa SOS realiza sempre ações sociais em comunidades, escolas e logradouros públicos sobre a importância da prevenção, distribuindo pulseirinhas de identificação para as crianças, cartazes e orientando pais e responsáveis para nunca deixar de identificar as crianças e não desviar o olhar delas nem por um segundo.”

Para colocar na lista da família

As recomendações da FIA para evitar esses acontecimentos podem ser colocados em prática pela sua família.

Para os pais:

  • Nos passeio com crianças, tenha atenção redobrada em locais com muita gente, como praias, festas, shoppings. Marque sempre um local de encontro para o caso de alguém se perder;
  • Faça a carteira de identidade do seu filho, ela pode ser emitida já no nascimento, e oriente-o a andar sempre com ela;
  • Nunca deixe crianças sob o cuidado de outras crianças;
  • Ensine-o a pedir ajuda em caso de emergência, mostre como ligar para o 190 quando for necessário;
  • Fique atenta aos riscos que a internet pode trazer para o seu filho. Ensine sobre os cuidados obrigatórios e os perigos que às vezes não ficam tão claros para as crianças.
  • Ouça seu filho! Manter sempre um diálogo aberto e próximo com seu filho faz com que ele se sinta seguro para relatar qualquer desconfiança.

Para repassar às crianças:

  • Ao sair com pais, responsáveis ou amigos, procurar andar sempre junto, para não se perder;
  • Nunca se aproximar ou entrar em um veículo caso alguém pare o carro ou faça perguntas;
  • Nunca aceitar doces, balas ou presentes de pessoas estranhas;

Em caso de desaparecimento durante o passeio com crianças, não exite em pedir ajuda o mais rápido possível! Procure a delegacia mais próxima de onde ocorreu o fato e registre o ocorrido; não aguarde nem um minuto para divulgar a foto do desaparecido utilizando a rede social e mobilizando familiares, vizinhos e amigos.

As políticas de atuação em relação ao desaparecimento de crianças, embora atuantes, não conseguem atender efetivamente todas as famílias que enfrentam o problema. Segundo o Ministério da Justiça, estima-se que 40.000 crianças desaparecem por ano no Brasil, mas muitos casos não chegam nem a ser registrados. O próprio Cadastro Nacional de Desaparecidos passou desativado mais de oito meses em 2018 com a informação de que estava sendo atualizado.   

De acordo com Luiz, o Rio de Janeiro tem sido referência em desempenho para detectar o paradeiro dessas crianças, mas esta realidade ainda não é a regra.

Na Fundação para a Infância e Adolescência, o programa SOS Crianças Desaparecidas já cadastrou 3530 casos de desaparecimento desde a criação do programa em 1996. Destes, 2985 já foram localizados.

“Com a Lei Federal 11259/2005 é garantido o registro de ocorrência imediato diante de casos de desaparecimento de crianças e adolescentes, ou seja, qualquer delegacia do Rio de Janeiro deve fazer o registro de ocorrência.” esclarece, Luiz.

Sobre os desafios de atuação, ele afirma que é preciso incentivar políticas públicas que integrem as instituições de proteção à infância. É fundamental articular um sistema que garanta os direitos da criança, valorizando órgãos como Conselho Tutelar, CRAS, CREAS, Ministério Público e Juizado da Infância e Juventude.

A ineficiência do Cadastro Nacional, por exemplo, agrava o diálogo entre instituições pelo país, o que dificulta a troca de informações que possam ajudar na localização.

Precaução contra às estatísticas

São milhares de famílias que aguardam há anos uma resposta sobre o destino de meninos e meninas que saíram do seio familiar sem nenhuma justificativa. O que move essas famílias, ano após ano, é a esperança pelo retorno.

Por isso, na temporada de festas, proteja seu filho! Siga as orientações de segurança e compartilhe em suas redes sociais todas essas informações sobre o passeio com crianças. Com a participação de todas as famílias podem aproveitar com segurança e cuidado.

Para mais informações, entre em contato com o programa SOS Crianças Desaparecidas ou utilize os meios de contato (telefone (21) 2286-8337 / 2334-8000 WhatsApp (21) 98596-5296), e realize um pré-cadastro através do site www.soscriancasdesaparecidas.rj.gov.br