mulher de chapeu tirando foto
Educação

Máquina do tempo: a fotografia como memória

Tempo de leitura: 5 minutos

Atualmente, leio o livro “A memória, a história, o esquecimento”, de Paul Ricoeur. Inevitavelmente, paro e penso: o presente é efêmero, nós somos feitos de memórias, somos o conjunto de experiencias que vivemos ao longo da vida que, assim que são vividas, já se tornam passado e, portanto, lembranças. Nem todas as lembranças são boas, mas todas elas contribuem para que nós sejamos quem somos.

Já assistiram ao filme: “A história de nós dois”? Nele, um casal (interpretados por Michelle Pfeiffer e Bruce Willis) está vivendo uma crise em seu casamento e se indaga se vale a pena continuarem juntos. Em um determinado momento da história, eles se lembram de vários momentos que passaram juntos: o dia do casamento, o dia do nascimento dos filhos, brigas que tiveram, momentos tristes em que um apoiou o outro… Vários momentos são relembrados através de fotografias.

Registros e histórias

Sempre gostei de tirar fotos. Para mim, elas são uma verdadeira máquina do tempo: nos levam de volta a algum momento feliz da vida (normalmente ninguém registra dias ruins, não é mesmo?). Desde que o Max nasceu, registramos muita coisa: o primeiro banho, os primeiros passinhos, a primeira papinha… Essa é uma das vantagens da tecnologia: com o celular podemos tirar várias fotos, – com a vantagem de ver como ficaram na hora – e fazemos diversos vídeos.

Que delícia pegar as fotos (sim, eu ainda imprimo fotos… rs) e assistir aos vídeos que gravamos e ver o quanto já vivemos até agora. Ontem estávamos no parquinho: Max, Rodrigo e eu. Assistia aos dois brincarem, uma interação de pai e filho emocionante de se ver. Rodrigo empurrava o balanço e Max abria um sorriso enorme, já com alguns dentinhos. Vivi aquele momento e consegui registrá-lo não apenas no coração: hoje, voltei a este passado recente – que já se tornou lembrança – através do registro em foto.

A velocidade é uma constância

Tenho um misto de sentimentos dentro de mim: tenho saudade do que já vivemos com o Max, vivo intensamente o presente, com a certeza de que tudo passa muito rápido e já estou ansiosa para viver as próximas fases com o nosso bebê (que, aos poucos, está virando um menininho esperto). Logo, logo, ele terá cinco, dez, quinze anos e poderei voltar a esta fase que vivemos agora através da minha máquina do tempo: as inúmeras fotos que temos, todas reunidas em um álbum bastante especial.

Roberta Araujo

Advogada e mestranda em Direito. Criadora do Justa Causa (@justa.causa), que busca levar conhecimento jurídico ligado à arte a todas as pessoas. Carioca, feminista, mãe do Max, que ama o cinema e a literatura e luta para vivermos em um país igualitário e livre de preconceitos.